NOTíCIAS - Educação - JORNAL DE SERAFINA CORREA

"Eu e Outras Consequências"
O monólogo estrelado por Tanussi Cardoso, Eu e Outras Consequências, encantou quem prestigiou a atuação desse ator de renome nacional no Cine Teatro Carlos Gomes, dia 04 de Outubro de 2011. A mistura de poesia e música e a modalidade teatral pouco comum no município fez com que a plateia aplaudisse de pé a peça. Com entrada gratuita, o evento reuniu pessoas interessadas em arte e cultura, proporcionando momentos de aproximação e apreciação de um monólogo muito bem produzido.







A IMPRESSÃO DA REALIDADE EM "AS INSOLENTES PATAS DO CÃO", DE NILTO MACIEL, por Tanussi Cardoso


As estórias de Nilto Maciel nos pegam pelo imprevisto, pela frase cortada, fragmentada, pelo jeito de quem está narrando um fato com descontração. É um modo singular de escrever. Nilto Maciel não ilude o leitor com firulas desnecessárias, não o engana com frases de efeito. Não tem vínculo com uma certa literatura que teima em parecer pedante. Mas por trás dessa aparente simplicidade há um escritor pleno de seus objetivos, que sabe contar uma estória com desenvoltura. Engana-se quem pensar ao contrário. Nilto Maciel lima as gorduras do texto e, vigorosamente, trabalha com a palavra certa, no lugar certo e na hora certa. Como cabe aos bons escritores.

Dono, portanto, de excelente técnica narrativa, Nilto Maciel, em As Insolentes Patas do Cão (João Scortecci Editora, 1991), incorpora efeitos oníricos a elementos míticos e místicos, muitas vezes de forma surreal, liquidificando tudo em beleza, fantasia, ironia, crítica e humor. Neste livro, o escritor agrupa um conjunto de estórias, onde o absurdo de várias situações beira a irrealidade, o sonho, a loucura imaginativa. E deixa o leitor atônito a se questionar sobre a impressão de verdade/ilusão que possa existir no que lhe é narrado.

Logo no belíssimo conto que abre o livro, “Ícaro”, o autor nos brinda com uma linguagem plena de lirismo, de uma brasilidade meio esquecida, com gosto, com cheiro, com ternura. Aliás, um fato inconteste marca todo o livrou: o carinho com que o escritor trata seus personagens, mesmo os menos afortunados (ou, principalmente), mesmo os mais terríveis. Há sempre um bem-querer subentendido em suas linhas, uma defesa subliminar, como se a raiz de seus destinos lhes conferisse o direito inequívoco de serem como são, e serem amados por essa inevitabilidade. Nilto Maciel limita-se a contar; não os julga, não cria valores de juízo em relação a seus atos e atitudes. “Ícaro” é uma história prenhe de perguntas, de questionamentos, que não se permite respostas. É a chave para se entender toda a unidade temática do livro: a perpassar a grande maioria dos contos (como uma flecha que os cortasse num mesmo plano), um medo latente de que a realidade seja mais cruel do que os sonhos; um medo, talvez, de que a fantasia seja perdida.


Em “A Menina dos Olhos”, por exemplo, a realidade parece sair da imaginação. Raquel existe? Ou seria apenas a menina sonhada pelos olhos do menino? Como a querer confundir (ou fundir) tudo, num só sonho ou numa só estória, Nilto Maciel “batiza” a maioria de seus personagens com nomes bíblicos, mitológicos ou, simplesmente, muito estranhos. E tome de Raquel, João, Maria, Acteão, João Canoro, Hulda, Quésia, Arion, Frederico Ozanam, Miro Spiegel, Liana Bennato, Amapá, João Batista, Fausto, Leonardo Ratisbona, Dr. Aderaldo Ascegas, Vulpino, João Cordeiro, Homero, João Alves Mendes... E como em Nilto Maciel não há gratuidade, é claro que nessas escolhas há muita coerência, sabedoria e uma grande dose de ironia crítica.


Em “Rosa dos Ventos”, o lúdico e o sensual dos desejos humanos remetem a sonhos de outras dimensões ou realidades; à viagem imaginária da cidade grande, num jogo de contrastes onde o sexo é a arma letal. Ou vital? Onde a solidão dá o tom monocórdio da angústia.

Já em “Incubação”, a realidade é traída pelo son(h)o. Maria sonhara aquela noite? Mas a prova real está ali, palpável: o filho, o menino feio. Uma espécie de parábola do nascimento de outro menino, nascido num estaleiro, saído de uma outra Maria.

O conto “A Fala dos Cães” é um bom exemplo da temática narrativa que percorre todo o livro. Mitos, ninfas, serpentes; fantasia ou realidade? Cheio de símbolos (fálicos, por que não?), o conto segue seu destino de escamotear, dando voz aos cães e vida aos cervos. Um conto cruel, melhor lido nas entrelinhas e nos intervalos do que no seguimento linear da própria estória.

Segue o livro, com o autor a nos perguntar pela boca de seus personagens: “Isso existiu de verdade ou foi só impressão?” (grifo nosso) (“Adeus, Alzira”); “Ou não era verdade, sonhava, delirava? Talvez fosse pura impressão” (grifo nosso) (“Um Simples Boneco”); Ou ainda: “Todos corremos perigo, até quando dormimos”. (“Os Belos Olhos de Sônia”). Moto-contínuo, o sonho sempre em confronto com a realidade, num estilo seco, direto, instantâneo, moderno, como no conto intitulado — de modo explícito – “Sonhos”, um dos grandes momentos da coletânea.

Todas essas evidências estilísticas encontramos, igualmente, no ótimo “Ilusões de Gato e Rato”, ou no sensacional “Casa Mal-assombrada”, onde a dualidade realidade-sonho ressurge num conto digno dos grandes mestres. Numa narrativa tocando a técnica do realismo-fantástico, o autor expurga (nossos) fantasmas, tendo ao fundo um lirismo doce e azedo. Agudo.

Em “O Vencedor” (ótimo e muito bem narrado) e “Eucaristia” (quase um poema em prosa!) novamente a ironia, o humor. a irreverência crítica, um quê de surreal. Ferino e felino.

“Olho Mágico” causa estranheza. A solidão (angústia permanente de quase todos os personagens) (sub)levando nossos medos e latentes fantasmas. Realismo ou fantasia?

O antagonismo reaparece no excelente “A Última Festa de um Homem Só”. De novo o questionamento: o que é a realidade? aquela que de fato vivemos ou a que gostaríamos de viver? O que, afinal, são vida e morte? Tudo não estaria entrelaçado? A mesma face de uma só moeda ou de uma só consciência? Ou tudo não passará de mera “impressão?”

Mistério e suspense, num conto emblemático da temática do escritor: “Um Simples Boneco”. Nele, outro elemento simbólico (que perpassa todos os contos) surge: o espelho. Como se o corpo de seus personagens estivesse sempre presente no outro. Sombra. Espectro. Sonho. Pesadelo. Impressão ou não? Há sempre alguém olhando um outro ou alguma coisa. (O olhar é um elemento fortíssimo em Nilto Maciel.) O olho como voyeur, espião do outro e de si mesmo. Assim, acontece, igualmente, em “Os Belos Olhos de Sônia”.

É certo que alguns – poucos – contos beiram, às vezes, o piadismo, sem maiores implicações. Mas mesmo nesses há sempre algo de interesse e uma bem dosada atmosfera narrativa.

Porém, é no conto que dá título ao volume, “As Insolentes Patas do Cão”, que encontramos sintetizadas todas as preocupações, não só estilísticas, mas de conteúdo temático, que o autor nos passa. Está tudo lá: ironia, humor, sarcasmo, cinismo, absurdo, linguagem onírica, simbologias. É o próprio autor quem nos diz, através de seu personagem: “Chego a pensar que foram muitas as noites, condensadas numa só ao longo do tempo e da angústia crescente... Foi um sonho, foram muitos sonhos, misturados a lendas, histórias de trancoso, simples imaginação”.

O cão, com suas insolentes patas, simboliza a realidade querendo penetrar no muro fechado (sonhos) perpetuada nos olhos do menino. E, como quer o autor, o leitor, ao final, se perguntará “se o tempo passou, se fui eu que sonhei”. Só que aqui a realidade parece vencer o sonho.

As Insolentes Patas do Cão é um instigante e belo livro de contos que coloca o seu autor, Nilto Maciel, no rol dos grandes escritores deste país.

(Revista Literatura n.º 7, Brasília, dezembro de 1994.)

NOTÍCIAS SOBRE O CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA DE BENTO GONÇALVES 2011


































Amigos, o Congresso Brasileiro de Poesia, que se realiza anualmente na Cidade de Bento Gonçalves/RS, terminou sob o aplauso de todos os que por lá estiveram. Além do homenageado do ano, Affonso Romano de Sant'anna, mostraram seus trabalhos por lá, artistas e escritores dos mais variados, entre eles, Marina Colasanti, Ronaldo Werneck, Marcio Borges, Colmar Duarte, Edmilson Santini, Artur Gomes, Jorge Ventura, Jiddu Saldanha, Dalmo Saraiva, o Grupo Poesia Simplesmente, Eduardo Tornaghi, Telma da Costa, entre mais de 100 poeta convidados, tudo sob a regência do poeta ADEMIR BACCA e de suas queridas orquestradoras, Cacau Gonçalves e Maria Clara Segobia.

O monólogo-poético-musical, de minha autoria, "EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS", com direção de Monica Serpa, e roteiro meu e dela, teve a honra de fechar o Congresso, obtendo imenso sucesso e muita repercussão, apresentando-se, também, a convite da Prefeitura, na Cidade vizinha de Serafina Correa.

Segue cópia do convite, e quem quiser saber notícia do Congresso, pode entrar no link abaixo:





















POEMA DA MORTE ANUNCIADA

Em fevereiro de 2001, escrevi um poema dedicado a Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison, impressionado que estava com a infeliz coincidência de os três terem deixado essa vida aos 27 anos. Nunca o publiquei. Esse acaso-não-acaso do Universo nos levou Amy Winehouse, aos 27 anos, a mais talentosa artista surgida nos anos 2000. O poema, agora, também, é dedicado a ela.


JANIS & JIMI & JIM; A MORTE AOS 27
(AGORA, TAMBÉM PARA AMY)


paraíso & paixão – doce encanto da juventude

a vida exulta na garganta, sibila nas cordas, nos sons
nos cabeludos dentes de ouro
- fogo dionisíaco dos pássaros

o Senhor é Rock
- rola nas veias & no sangue & nas línguas
& nas jubas ruivas e negras das revoluções

27 & pós & fumaça
: não há rosto sob as babas e barbas
: não há elo entre a linguagem e a palavra primitiva

corta-se o cordão umbilical com Deus quando se morre aos 27
nada é brinquedo ou jardim quando se morre aos 27
o futuro não tem cidade ou país quando se morre aos 27
peixes afogados em aquários quando se morre aos 27
a alegria sucumbe às nuvens ácidas do céu
quando se morre aos 27

corpos dilacerados atravessam o tempo
e assistem ao riso solto que queima as guitarras
e venta sobre pântanos, pontes, rios, desertos

3 astros, 3 estrelas, 3 mortos aos 27
brilhando num oásis de luzes e facas

e que olhos se acenderam depois do dilúvio?

que desejos selvagens? que música? que inocência?








TANUSSI CARDOSO


fevereiro de 2001

RELANÇAMENTO "DEL APRENDIZAJE DEL AIRE"/ "DO APRENDIZADO DO AR" E LEITURA DO MONÓLOGO "EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS"





AMIGOS,

SEM VOCÊS, A PROGRAMAÇÃO DA TARDE

NÃO ESTARÁ COMPLETA!

No dia 02 de julho, sábado, a partir das 15h, na Estação das Letras, espaço coordenado pela amiga e poeta, Suzana Vargas, relançarei meu livro,”DEL APRENDIZAJE DEL AIRE/DO APRENDIZADO DO AR” e, na oportunidade, haverá a estreia da peça de minha autoria, "EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS”, um monólogo poético-musical, que será lida e cantada por amigos atores, seguido de uma conversa com a plateia.

Para minha alegria, muitos já prestigiaram os lançamentos anteriores deste livro, mas, ficarei bastante feliz com a presença de todos.

Abaixo, segue a programação da tarde.

Abração meu, Tanussi

ESTAÇÃO DAS LETRAS
Aqui se faz Literatura

convida para o lançamento do livro

DEL APRENDIZAJE DEL AIRE
DO APRENDIZADO DO AR
antologia poética bilíngue, português/espanhol)
Ed. Fivestar

e para a leitura pública da peça

“EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS”
(monólogo poético-musical)
de
TANUSSI CARDOSO,

Programação:

- Apresentação: TANUSSI CARDOSO
- Leitura do Monólogo Poético-Musical,
“EU E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS”
com CARMEN MORENO
DELAYNE BRASIL
EUGÊNIA HENRIQUES LORETI
JORGE VENTURA
LUIZ FERNANDO DAFNE
TANUSSI CARDOSO
e TELMA COSTA

- Conversa do autor com a plateia
-Lançamento do livro e autógrafos
- Coquetel
apoio: Lelu's buffet / Lêda / 21-2281-9006)

Dia: 02 de julho, sábado, das 15h às 19h

Local: ESTAÇÃO DAS LETRAS

Rua Marquês de Abrantes, 177, loja 107, Flamengo
(Metrô Flamengo, saída Marquês de Abrantes)
Tel: (21) 3237-3947

RELANÇAMENTO DO NOVO LIVRO DE TANUSSI CARDOSO


Amigos,

Dando continuidade às comemorações pelos meus 30 anos de atividades literárias, tenho a honra de convidá-los para o relançamento de meu mais novo livro.

Conto com a presença de todos, para compartilharmos esta alegria.

Abraços,
Tanussi Cardoso



O PEN CLUBE DO BRASIL
e a EDITORA FIVESTAR


convidam para o lançamento do livro

DEL APRENDIZAJE DEL AIRE

DO APRENDIZADO DO AR


de

TANUSSI CARDOSO

Antologia poética bilíngue

Seleção, tradução para o castelhano e prólogos

LEO LOBOS e ANGÉLICA SANTA OLAYA

Programação:

- Apresentação: CARMEN MORENO

- Leitura de poemas em português: SÉRGIO FONTA

- Leitura de poemas em espanhol: HELENA FERREIRA

- Lançamento do livro

- Coquetel


Dia: 25 de maio, quarta-feira, das 18h às 20h30m

Local: PEN Clube do Brasil

Praia do Flamengo, 172 / 11º andar


perto do Castelinho do Flamengo
Tel: (21) 2556-0461


Apoio:
Lelu`s buffet
Twl: (21)2281-9006

POETIZANDO PUBLICA TANUSSI CARDOSO


POETIZANDO, de Santos / SP, editado por EUNICE MENDES e WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO, em seu nº 40, de março a maio de 2011, publicou o poema "SOBRE O NOME DAS COISAS", dedicado a Luiz Ruffato. Nesse número, há poetas como FERNANDO PESSOA, ALUÍSIO DE AZEVEDO, ROBERT BROWNING, ELIZABETH BARRETT BROWNING, MACHADO DE ASSIS, BOCAGE, RICARDO ALFAYA, ANTONIO LUIZ LOPES, BENILSON TONIOLO, ANDERSON BRAGA HORTA, SÉRGIO BERNARDO, DINOVALDO GILIOLI, FERNANDO AGUIAR, entre outros. A revista POETIZANDO merece o nosso apoio, e aceita colaborações. Quem quiser enviar poemas ou pequenos textos, o endereço é o seguinte: Av. Eng. Luís La Scala, 186, CEP: 11075-150, Santos / SP. BLOG: www.revistapoetizando.blogspot.com. E-MAIL: walmordario@ig.com.br Assinatura anual: R$ 35,00. Cheque Correio ou nominal a/c de Walmor Dario Santos Colmenero. VALE À PENA.


sobre o nome das coisas

para Luiz Ruffato


I

porque todos os mistérios são santos,
não nomearemos o nome das
coisas.
ainda que os desertos floresçam
e o caos das chuvas transborde,
deles, o sangue não diremos.

II

no início era a Vida.
depois aprenderam os cães a ladrar
e o homem a chamar o nome das coisas
e os dedos a cruzar em nome de Deus.

III

ainda que encruado o Filho
ou mesmo que a serpente
renegue por 3 vezes
a árvore do desejo,
o nome não será.
ainda que lambam as chagas.
ainda que as lágrimas escorram,
toda a dor será cuspida
e o sol cumprido.

IV

quando caminhávamos na areia,
os nomes não havia.
havia o mar sem nome.
o céu, as frutas,
as pegadas dos pássaros
e o sonho havia sem nome.
tudo era simples.
simples os homens
sem nomes.

V
eram noites
e dias indefiníveis,
as coisas.
os olhos aprendiam o verde
e pescavam sem nomear.
os olhos ouviam tudo.
maravilhavam-se de
maravilhas!

VI

quem nos carrega nos ombros?
quem nossa língua nos bebe?
a quem dizer, quero?
a quem dizer, preciso?
a quem dizer, inocentes?

VII

as coisas que não diremos
habitam as cidades
e as sombras iluminam
escuras cavernas.
os dentes, os cabelos
arranca-nos, o tigre.

VIII

vivemos dentro de nós.
estrangeiros.
percorremos estradas,
ruas, cidades. nus e
estrangeiros.
cada sorriso, cada
abraço, estrangeiros.
nossos mares e navios,
estrangeiros.

IX

o Tempo se cola ao corpo.
o rosto envelhece.
unhas expurgam.
enruga a pele.
resta esperar.

X

quantas faces temos?
qual delas se chama
amor?
quem em nós se diz a
morte?
qual acende a vela do
templo?

XI

eis que
os nomes não ditos se esquivam
e o Verbo
que era barro
se faz
vento.

Tanussi Cardoso

PARA LYZ TAYLOR

ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA

Para Lyz Taylor


I


Os olhos de Marlon Brando

na tela

e o peito sussurrante

da menina bela.

A boca de Marlon Brando

na tela

e as mãos da sorte

nos seios dela.

As coxas de Marlon Brando

na tela

e o suor do púbis

doía nela.


II


A mão no escuro

escolhe o momento

exato de agir.

Ágil,

segura as coxas

da menina ao lado.


(Rock Hudson

beija

Elisabeth Taylor)


As pipocas

se contorcem

de prazer.



Tanussi Cardoso



O CAPITAL PUBLICA TANUSSI CARDOSO


O CAPITAL - JORNAL DE RESISTÊNCIA AO ORDINÁRIO, de Aracaju/SE, editado por ILMA FONTES, em seu nº 200, de fevereiro de 2011, publicou, na sessão REDE ALTERNATIVA DE POESIA, o poema "CILADA". Nessa página há poetas como ANE WALSH, ARTUR GOMES, DALMO SARAIVA, FERREIRA GULLAR e HAIDÊ PIGATTO, entre outros. O jornal O CAPITAL merece a nossa força, portanto, quem quiser recebê-lo é só enviar cheque de R$ 100,00 para Editora Jornal O Capital, A/C Ilma Fontes: Av. Ivo do Prado, 948 - Aracaju - SE - 49015-070. ASSINE UMA E LEVE DUAS. Você recebe o seu exemplar em casa e uma pessoa que você ama também receberá na casa dela; você só precisa mandar os endereços, seu e dela.


COM CERTEZA, O CAPITAL SE FAZ NECESSÁRIO PARA TODOS OS QUE AMAM A CULTURA ALTERNATIVA.




























CILADA


o amor não é a lua

iluminando o arco-íris

nem a estrela-guia

mirando o oceano


o amor não é o vinho

embebedando lençóis

nem o beijo louco

na boca úmida do dia


o amor não é a angústia

de se encontrar o sorriso

nem o vermelho

do coração dos pombos


o amor não é a vitória

dos navios e dos barcos

nem a paz cavalgando

cavalos alados


o amor é, sobretudo

a faca no laço do laçador

o amor é, exatamente

o tiro no peito do matador



Tanussi Cardoso


LANÇAMENTO DE "DEL APRENDIZAJE DEL AIRE" / "DO APRENDIZADO DO AR"




A EDITORA FIVESTAR


convida para o lançamento do livro de poesia bilíngue





DEL APRENDIZAJE DEL AIRE


DO APRENDIZADO DO AR





de





TANUSSI CARDOSO





dia 26 de abril de 2011, terça-feira, a partir das 18h30m





Cafeteria Espaço Antique


Rua Siqueira Campos, 143, sobreloja - Shopping dos Antiquários, Copacabana


próximo ao Metrô Siqueira Campos






O livro é uma coletânea, com poemas traduzidos ao espanhol pelo poeta chileno, LEO LOBOS, e pela poeta mexicana, ANGÉLICA SANTA OLAYA.





O livro dá continuidade às comemorações pelos meus 30 anos de atividades literárias.





O evento tem o apoio da Vinícola Aurora.





Conto com o abraço de todos.





Obrigado.

TANUSSI CARDOSO NA REVISTA DA UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES - UBE: RENOVARTE nº 4, 2011



POETA CAIRO DE ASSIS TRINDADE LANÇA LIVRO ONDE HOMENAGEIA TANUSSI CARDOSO




























O POETA CAIRO DE ASSIS TRINDADE lançou seu livro de poemas POEZYA - que porra é essa?, pela Personal, e dedica o poema "Encontros secretos" ao poeta Tanussi Cardoso.

"O CAPITAL", DE ILMA FONTES, NOTICIA SOBRE "VERTENTES"





Acredite: há 20 anos, uma artista completa - jornalista, poeta, roteirista, contista e otras cositas más - traz a lume um jornal alternativo, de forma heroica, que, muito orgulhosamente, carrega como subtítulo a frase: "JORNAL DE RESISTÊNCIA AO ORDINÁRIO". E põe resistência nisso! Contando com a colaboração de amigos, assíduos e críticos, o jornal é, desde o seu início, a voz mais fluente e honesta a lutar contra qualquer tipo de preconceito, e, igualmente, pela preservação da natureza, quando ainda não era moda se falar sobre homossexualismo, poluição, drogas, negros, índios, mulheres, esses assuntos que não dão mídia... Mas, ao comentar isso, pode parecer papo de careta, de normatização, do politicamente correto... Engana-se quem assim pensar: o jornal é livre, porralouca, no bom sentido (isso é, se existir porralouca no mau sentido), não prega qualquer tipo de dogma, não faz doutrinas, é autenticamente democrático, no tocante às discussões que sempre pipocam por lá, quase sempre criadas por seus leitores-poetas-escritores. Para mim, é, sem dúvida, A MELHOR PUBLICAÇÃO LITERÁRIA INDEPENDENTE DO PAÍS. Sem frescuras, mas com muito frescor, se é que me entendem. Pois bem, a sua genial editora é a nossa gurua ILMA FONTES; e o jornal é o "O CAPITAL".

Quem conhece não o deixa de ler nunca mais, e que não o conhece não sabe o que está perdendo. Por exemplo, os editoriais são honestos e pertinentes (ou alguém por aí pensa que todos os editoriais por aí são assim?; tem a sessão Cartas Marcadas, assinadas pelos leitores, recheadas de broncas, fofocas de alto nível e, até mesmo, elogios; tem a Confraria das Letras, com notícias sobre livros; a Rede Alternativa de Poesia, com poetas de todo o Brasil; e, talvez, a coluna mais amada e odiada do Brasil, "24 Comentários", onde o poeta e amigo Jorge Domingos destila veneno, inteligência, humor, criatividade, sabedoria, crítica, poesia e carinho sobre todos e tudo que diz respeito ao homossexualismo.

Se você ainda tem dúvida se deve ou não ler "O CAPITAL", veja o time que está nesse nº de janeiro de 2011, simplesmente o de nº 199: Rogério Salgado, Touché, Irineu Volpato, Aricy Curvello, Dailor Varela, Rumi, Marcio Carvalho, Elaine Pauvolid, Ricardo Alfaya, Elisa Flores, entre outros.

Segue o endereço pra quem quiser enviar livros e poemas: Jornal O CAPITAL, Editora ILMA FONTES. Redação:Av. Ivo do Prado, 948, Aracaju / SE, CEP: 49015-070

POEMA DE TANUSSI EM "POETIZANDO"




"POETIZANDO", nº 38, de setembro/outubro/novembro de 2010, publicou meu poema AD INFINITUM. A Revista é um dos principais veículos de divulgação poética nacional, encontrando-se em seu ANO IX, editada em Santos/SP, por EUNICE MENDES e WALMOR DARIO SANTOS COLMENERO.

Grandes poetas se encontram por lá: Sérgio Bernardo, Glauco Mattoso, Fernando Aguiar, Anderson Braga Horta, Valéria Eik, Antonio Luiz Lopes, Dinovaldo Gilioli, Enéas Athanázio, entre outros.

A quem se interessar, anote: www.revistapoetizando.blogspot.com

ENTREVISTA PARA O FÓRUM DE LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Em janeiro deste ano, concedi entrevista ao escritor e Mestre em Poética da UFRJ, RONALDO FERRITO para o FÓRUM DE LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA. Como a entrevista é muito longa, convido os leitores para acompanharem-na, na íntegra, no link http://www.forumlitbras.letras.ufrj.br/entrevistas.html?total=80083&carregando=36866&porcentagem=46

Lá, poderão ler, igualmente, entrevistas de grandes escritores, como ANTONIO CARLOS SECCHIN, ARMANDO FREITAS FILHO, CLÁUDIA ROQUETTE-PINTO, EUCANAÃ FERRAZ, FERREIRA GULLAR, GODOFREDO DE OLIVEIRA NETO, ROSA AMANDA STRAUSZ, RUBENS FIGUEIREDO, SÉRGIO SANT'ANNA, ADRIANO ESPÍNOLA, HEITOR FERRAZ MELLO, CECÍLIA COSTA, EDUARDO TORNAGHI, FERRÉZ, FRED GÓES, JULIO MONTEIRO MARTINS, TAVINHO PAES, entre outros.


POEMAS DE TANUSSI CARDOSO PUBLICADOS EM CÍRCULO DE POESÍA, REVISTA ELECTRÓNICA DE LITERATURA - CHILE




O poeta, ensaísta e tradutor chileno
Leo Lobos (1966) nos oferece, nesta oportunidade, suas versões do trabalho do poeta brasileiro Tanussi Cardoso (1946). Cardoso é poeta, contista, crítico literário e letrista. É Presidente do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro (SEERJ).

MYRIAN MOREIRA - AMIGA ETERNA

Amigos:

Venho, pezarosíssíma comunicar-lhes o falecimento de minha querida amiga, a musicista e poetisa Myrian Moreira, alma e coração do grupo de musikantiga “Anima et Cor”, que tantos momentos maravilhosos nos proporcionou. É uma irreparável perda para todos os que tiveram o privilégio de ouvi-la com seu alaúde mágico, sua energia inesgotável e maravilhoso talento musical e poético.

Tendo falecido sábado, dia 15.1 às 11.11 da manhã, após complicações renais e uma pneumonia repentina, foi sepultada domingo (16.1) às 11hs no Jardim da Paz em Ponta da Fruta.

Profundamente triste -

MARILENA SONEGHET



... e o canto se fez eterno!
(homenagem póstuma à artista Myrian Moreira)



Por MARILENA SONEGHET



Ela tinha a música na alma e nos lábios uma perene canção. Seus olhos grandes, de profunda mirada, refletiam a indefinida cor dos sonhos. Os dedos inquietos desenhavam arpejos – alaúde, bandolim, violão, viola de cocho, teclado... todo instrumento em suas mãos tornava-se encantado.



Mais que uma motivação, a música era sua vida. Pequenina ainda, lá no Maranhão, onde nascera, era sua companheira uma flautinha. Pousada como um passarinho na platibanda da casa ficava horas tocando. Travessa, pulava a janela para surrupiar o violão do primo e, sentada sob uma árvore, improvisava sons.

Ah, Myrian!... Myrian Moreira! Quem teve o privilégio de a conhecer, de a ouvir tocar, cantar, dizer poemas – a voz a um tempo grave e tépida -, foi tocado para sempre por sua magia. Como almas afins nos identificamos de pronto (até na mania de usar boné) - a poesia, a música, a beleza do mar, da esteira do luar sobre as águas, as andorinhas que fazem verão, a tepidez do sol, os barcos dos pescadores colorindo a praia eram pano de fundo de nossos versos, conversas, e de suas composições.



Eu, de voz limitada e que apenas arranho um violão, tive a honra de tornar-me sua parceira musical no grupo que criamos – o “Anima et Cor” (alma e coração) -, ela, eu e Anita Galveas, uma delicada voz de soprano. Quanto nos ensinou sua espiritualidade pura e vasta cultura!

Em viagem pelo túnel do tempo, por sua mão visitamos a Idade Média, a Renascença, apreciamos a música de Galileu (pai), de Bernard de Ventadour, da condessa de Die com seu plangente “Plang” (o de um amor frustrado), e tantos outros, que passaram a compor nosso repertório. Era como se fossemos anacrônicos jograis e menestréis. Da península Ibérica navegamos ao Brasil recém descoberto, a resgatar a pureza dos sons, da música da “consciência mágica”, como dizia: os cantos e danças dos nossos nativos e os da cultura africana com seus ritmos atemporais e, sobretudo, a busca de nossas raízes, no nordeste, na literatura de cordel, nos cantadores com suas rabecas, flautas, pandeiros – herança direta dos povos ibéricos.

O ritmo pulsava em Myrian. Fazia-se criança com um bongô nas mãos. Ah, Myrian!... Parece-me vê-la vibrante, iluminada de leveza e graça. Mas, a par da saudade que me assalta, sinto imensa alegria e gratidão pelo acaso, destino, complô cósmico - o bom Deus -, que uniu nossos passos num lindo trecho do caminho.

Vai, minha querida amiga, traça sua jornada de Luz e, como você mesma diz em um poema: “sorri, celebra, dança e canta. / O vento colherá teu verso / e o universo inteiro te ouvirá.”

“Sou mais um tupi tangendo um alaúde”

Violão, alaúde, saltério, flautas, bandolim... Sua casa parecia abrigar uma orquetra. A dama dos dez instrumentos. Apaixonada pelo alaúde, ousada, aprendeu a tocá-lo, sozinha, e em vinte dias se apresentou com o “Conjunto Roberto de Regina” no Rio de Janeiro, grupo que, como alaudista, integrou por mais de dez anos, com gravações na CBS, turnês no Brasil, na América do Sul e nos Estados Unidos em missão cultural pelo Itamarati.

Versátil e idealista criou e dirigiu o “Grupo Caleidoscópio” de artes integradas que atuou catorze anos profissionalmente no Rio de Janeiro e em outros Estados. Motivada pela Eco 92, surge com outra grande realização – o espetáculo Gaia, quando ainda nem se conhecia bem esta expressão referente ao “nosso sistema vivo - o fantástico planeta Terra”. Em atuações individuais, gravou canções de sua autoria pela Petrobrás e Tape Car.

Além de sua paixão pela música, Myrian tinha a poesia na alma . Participava dos saraus e das coletâneas do “Poesia Simplesmente”, ainda no Rio, onde viveu por várias décadas e se tornou autêntica carioca. Mas, as férias eram na Praia da Costa. Curtia como ninguém a curva da Sereia, as areias douradas, o farfalhar das castanheiras, até que em 2006 mudou-se definitivamente para cá. Frequentemente era vista com sua bicicletinha e seu bonezinho maroto, a passear no calçadão.

Conhecer a Myrian numa noite de congada na Barra do Jucu, foi, para mim, um desvendar de horizontes. A instantânea simpatia e a poesia nos uniram. Costumava celebrar o luar com cirandas na beira do mar. Havia todo um ritual: o “guarnicê”, espécie de apresentação, o “centro” enfeitado com colorida canga, frutas e coisas gostosas, e em torno a roda a girar, a cirandar, a cantar a cantiga que nascera dos cantos de trabalho, das “casas de farinha” onde, no rodopiar da peneira surgiu a ciranda. Ela, ao violão.

Logo passamos a dizer poesias. Mas, sua “herança bárdica” não se contentava em dizê-las; sempre as acompanhava com música; assim, meio brincando, introduziu-me em seu mundo. Em pouco tempo eu já me aventurava na flauta, no mondol (instrumento marroquino, da família do alaúde), tambor árabe, kântele (variante da harpa), panderetas...

Sem planos prévios, nos vimos engajadas no I Festival de Verão da Barra do Jucu (2007). A dupla tornara-se um grupo ao convidarmos Anita Galveas e sua bela voz. Apresentamos um programa “À Moda dos Bardos”, numa trajetória musical que se iniciava na Idade Média, passando pela Renascença, desdobrando-se às origens do cancioneiro brasileiro (afro-índio-mediterrâneo) – fruto de longos anos de suas pesquisas e estudos.

Como dupla éramos, durante dois anos, assíduas freqüentadoras do sarau poético “Domingo diVerso”, na Casa de Cultura de Vila Velha, na Barra do Jucu. Mas a evolução não se fez esperar; criamos o grupo “Anima et Cor” que, como o nome diz, é pura alma e coração. A despeito de sua técnica e vastos conhecimentos musicais, Myrian amava as canções simples e nos estimulava a espontaneidade. Vinhamos num crescendo lento mas constante, com apresentações nas Academias de Letras, na Ufes, na Aliança Francesa, na Assembléia, na Galeria de Arte Ana Terra - em homenagem à querida amiga Maria Helena Teixeira de Siqueira, pouco antes de seu falecimento, com concorrida afluência de amigos. Entrevistada pela TV Gazeta, no programa Café da Manhã, recebeu inúmeras congratulações.

Mas a Myrian foi chamada para ser a maestrina dos anjos, com suas harpas, liras, saltérios... ou, talvez, para organizar uma imensa ciranda e envolver sua amada “Gaia” de sons. “O simples entoar junto nos permite entrar em ressonância com o outro e descobrir o que os antigos sempre souberam - o mundo é som”. Quem sabe, nos dizia, se cada vez mais pessoas se puserem a brincar com o som, a dançar com a vida, chegaremos à “consciência integral”?! De inclinações místicas, ela acreditava ser possível “através de uma profunda experiência musical da pessoa consigo mesma integrar-se na consciência do todo e encontrar o acesso aos âmbitos da alma e do espírito”.

Ela, com certeza, encontrou.

“O Bardo Interior”

Myrian Moreira


Espera por ti um canto.

Um canto dentro de ti.

Canta, de alma solta e cara limpa

sem medo de secar tua mina.

Vai no que inventar teu coração

até onde te levar a tua fome de criar.

Segue a tua essência na alegria de voar.

Mas antes, ouve, escuta o bardo interior

o canto harmônico, hipertônico, único.

Um canto dentro de ti

a espera de se fazer ouvir.

Escuta o canto peregrino antes que se perca à toa

e passe o ponto onde nasce o arco-íris.

Se ouvires a semente onde silente a luz ressoa...

se escutares o silêncio onde imenso o abismo ecoa...

se voas no som iluminado em aromas de incenso

andas bem perto de “ouvir e entender estrelas”.

E por certo não perderás o senso.

Ouvir é mister... e mistério saber escutar.

Canta. Tomara alguém em teu canto se reconheça

e a dor do mundo por um instante esqueça.

Mas, se ainda te embriaga o pó da estrada,’

se de ti só se ouvir o só que dói até no nada...

o nada escuta. Quando o bardo interior soar

terás encontrado o teu canto.

Vai então, sorri, celebra, dança e canta.

O vento colherá o teu verso

e o universo inteiro te ouvirá.

Os textos acima, escritos pela amiga MARILENA SONEGHET, foram retirados do site da autora. Prestigiem, por favor: http://nenasoneghet.blogspot.com



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